terça-feira, 30 de outubro de 2012

Resenha: Manual de Contabilidade (Wilson Zappa Hoog)


   Obra que remete a reflexões profundas sobre a diferenciação da Ciencia Contábil (essencia pura) da aplicação da Política Contábil (regulamentada), com enfoque principalmente no Plano de contas contábil. Recomendo esta obra para estudantes já em nível acadêmico/profissional avançado, pois, para seu desfruto amplo, faz-se necessário uma considerável base teórica contábil. Como crítica negativa, aponto a falta de lógica na sequencia de apresentação dos assuntos e o excesso de notas repetidas, soltas ao longo das explanações. Também alerto aos colegas o cuidado no momento de aplicar esta obra em suas demonstraçoes contábeis, pois, faz-se necessário distinguir conceituações aceitas na política contábil com explanações de cunho filosófico/científico em convergencia com a opinião do autor, muitas vezes  contrariando a política contábil atual.

     Trechos interessantes da obra:

 
 "A ciência contábil descreve o patrimônio, enquanto a política contábil prescreve como este patrimônio deve ser."
   "O ideal para a administração de uma célula social é ver o futuro através de uma contabilidade gerencial e orçamentária; o passado, claro, tem o seu valor como, por exemplo: medir o grau de acerto de uma gestão, mas já é um fato consumado; sendo que a contabilidade orçamentária mostra a probabilidade de um resultado antes dele acontecer, o que permite um corretivo antes da sua efetivação."
  
    "Existe a opção de controlar os custos no sistema de resultado, como defendido por alguns professores, porém a doutrina mais requintada prefere, por uma questão de adequação às teorias da contabilidade, o seu controle dentro do grupo de estoques (ativo circulante). Estoque de produtos em elaboracao. Sendo que nesta hipótese mais requintada e adequada às necessidades gerenciais tem-se a transferência do ativo para a conta de resultado somente a parcela correspondente ao que efetivamente foi vendido. Cabe destacar que à luz da teoria pura da contabilidade o correto é controlar os custos de produção em contas do ativo com a transferência apenas da parcela efetivamente alienada."
    "Uma política de governança contábil corporativa é um conjunto de ações planejadas para garantir a padronização de procedimentos de escrituração e valoração para todo um grupo econômico, promovendo a unificação de procedimentos. Inclui a adoção de um único plano de contas, com as funções e técnicas de funcionamento muito bem formuladas, que propiciem mais eficiência na qualidade nos registros."
 "Presume-se distribuição disfarçada de lucros no negocio pelo qual a pessoa jurídica: I – aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; II – adquire, por valor notoriamente superior ao de mercado, bem de pessoa ligada; III – perde, em decorrência do não exercício de direito à aquisição de bem e em beneficio de pessoa ligada, sinal, depósito em garantia ou importância paga para obter opção de aquisição; IV – transfere à pessoa ligada, sem pagamento ou por valor inferior ao de mercado, direito de preferência à subscrição de valores mobiliários de emissão da companhia; V – empresta dinheiro a pessoa ligada se, na data do empréstimo, possui lucros acumulados ou reservas de lucros; VI – paga à pessoa ligada aluguéis, royalties ou assistência técnica em montante que excede notoriamente do valor de mercado; VII – realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postar um comentário